Tuesday, October 17, 2006

Não sabemos tudo...

...e pior do que isto é sabê-lo.

Thursday, October 05, 2006

Contemplação

Menos que pouca, a brevidade comove-me.
Não sinto haver sentido, nem razão, nem causa.
Há efeito.

Está o sol num dos lados da janela,
mas permaneço aquém.

Sou comigo,
à imagem e semelhança do que é breve.

Derramo bálsamo na pele
para me sentir.

Sinto-me.
É de manhã,
e sei que Deus é comigo.

Sunday, October 01, 2006

Acertar



A vida está cheia de futilidades, de absolutismos, de indefinições negligentes e de definições abusivas. É difícil manter equilibrado o balanço daquilo que somos nesse imenso mar de bizarrias. Aquilo que sou é aquilo a que cheguei.

Sou aquilo em que acertei.

Para atingir o que é certo não posso esperar facilidades, nem desistir ao primeiro obstáculo ou à primeira dúvida. E se a dúvida é a prova de que há um caminho para quem sou, “quem sou” é por seu lado uma certeza: o alvo.

Friday, September 22, 2006

Deus

"Deus é o existirmos e isto não ser tudo."

Fernando Pessoa

Sunday, September 17, 2006

A morte e a minha morte.


"Não estou preparado para a morte de ninguém. Nem para a dos meus amigos, nem para a dos meus inimigos, nem para a minha – que, confesso, me causaria o maior transtorno. Até porque já tenho coisas combinadas para Outubro.
Que tenha dado por isso, nunca morri, e as coisas nas quais tenho falta de experiência sempre me assustaram (ver a minha relação com o sexo). Mas a morte, para mim, não é novidade.
Fiz a instrução primária numa escola de irmãs vicentinas, que abrigava, nas mesmas instalações, um lar de idosos.
A ideia das freiras era fazer com que os velhos enchessem o coração com a alegria dos novos, e que os novos enchessem a cabeça com a sabedoria dos velhos. Na verdade, os velhos levavam a mal a nossa presença, e nós levávamos a mal a presença deles. Nós desperdiçávamos aquilo que lhes faltava, a juventude, em actividades inúteis e, sobretudo, barulhentas – o que, mais que os irritar, os ofendia. E eles, na sua maioria, não diziam coisa com coisa e cheiravam a chichi – o que os diminuía aos nossos olhos. Nós tínhamos acabado de largar as fraldas, e eles tinham acabado de as pôr. Eles balbuciavam coisas incompreensíveis, e nós estávamos orgulhosos de termos começado a fazer sentido. Como não sentir superioridade perante aqueles destroços? Até que percebemos (uns mais tarde que outros: eu, por exemplo, só percebi há bocadinho) que, na melhor das hipóteses, também vamos ser um velhote meio maluco que cheira a chichi. Na melhor das hipóteses. Na pior, morremos já amanhã debaixo de um Scania de doze rodados. É a consciência aguda deste nosso vasto leque de opções que faz de alguém um humorista – ou um agelasta.
A mim, deu-me para isto. Até porque a morte pode ser mais humana que a vida. É, pelo menos, mais tranquilizadora, porque a vida é bem mais difícil de compreender. Como e quando é que começou a vida? E antes desse princípio, o que é que havia? E as minhas chaves do carro, onde estão? Questões cuja resposta o ser humano não tem capacidade para compreender. Que abstracção é esse nada que havia antes do início do universo? E as minhas chaves estavam entre as almofadas do sofá, mas o que é, na verdade, um sofá?
Já a morte, não deixa dúvidas. É um fim. The end, como no final dos filmes, quando a gente se levanta e sai da sala com aquela sensação de completude, de história fechada, de ponto final. Além de que é só nossa. É o acto mais individual da nossa vida. No nascimento, há ali mais gente ao barulho. A mãe e, quando calha, um pai. Mas a morte é pessoal. Sabemos que aquilo é um assunto que a ceifeira tem para resolver só connosco. Estamos completamente sozinhos. O que, no meu caso, será particularmente desagradável: como se não bastasse o resto, ainda morro em má companhia."
Ricardo Araújo Pereira, na Visão nº706

A Fé é o que nos faz

Com fé nada satisfaz.
Pela fé vamos.
À fé voltamos.

Amanhã acordamos,
no que hoje sonhamos.

Rimamos, rezamos.
Remamos.

Monocórdicos e previsíveis.
Como este peseudopoema-sensível.

Mas aquilo que eu sei, com toda a certeza,
é que vou dormir.
Boa noite…

Friday, June 30, 2006

Violino no Telhado

Assim mesmo, como este "fiddler on the roof".
Na nossa débil humanidade, esforçamo-nos por não perder o equilíbrio.
Recuperamos do passado o que nos constrói no futuro... e o Tempo continua a ser o mistério que baloiça em nós como uma criança distraída que, triste, absorta ou feliz espera sempre que o baloiço não pare. E se para, renova o esforço nas correntes. Na metálicas e nas interiores. Desafia as forças e com elas se move. Sempre sem abandonar e sempre a abandonar-se.



A fiddler on the roof. Sounds crazy, no? But here, in our little village of Anatevka, you might say every one of us is a fiddler on the roof trying to scratch out a pleasant, simple tune without breaking his neck. It isn't easy. You may ask 'Why do we stay up there if it's so dangerous?' Well, we stay because Anatevka is our home. And how do we keep our balance? That I can tell you in one word: tradition!

Este é um filme que aconselho vivamente! Para além de tocante é divertido. E para além de divertido é tocante.

Estou no Blog.com.pt